Mito ou verdade: pesca esportiva machuca o peixe?

pesca esportiva machuca o peixe

Conforme os anos se passam, mais e mais pessoas se preocupam com o meio ambiente. Sempre são levantadas questões éticas e morais a respeito da influência do homem nessa esfera e, quando o assunto é sobre esportes que podem impactar negativamente a natureza, o debate tende a ser caloroso. 

Afinal, a pesca esportiva machuca o peixe ou não? Fechar os olhos para essa questão é uma grande irresponsabilidade, já que é dever do pescador garantir um futuro melhor para esses animais.

Essa é uma pergunta polêmica e de difícil resposta. Contudo, ao longo do texto, nós explicaremos mais a respeito. Pronto para saber a resposta? Continue a leitura!

O que é pesca esportiva?

Antes de começar o debate propriamente dito, vale a pena recapitular do que se trata o termo pesca esportiva. Também conhecida como “pesque e solte”, os praticantes desse esporte fisgam os peixes e, em seguida, devolvem à água.

Ou seja, a pesca esportiva tem como objetivo apenas o prazer da fisgada e da briga com o animal. Outra modalidade seria a pesca predatória, quando se captura o peixe com o objetivo de comê-lo ou comercializá-lo.

Mesmo devolvendo o animal, a pesca esportiva é regida por lei e tem uma série de restrições com relação a equipamentos e espécies que podem ser capturadas. É importante conferi-las antes de sair pescando. Clique aqui para saber mais.

Os pontos principais do debate

Em primeiro lugar, é preciso entender que os peixes, assim como nós, possuem um sistema nervoso capaz de responder à dor, que é um estímulo de proteção básico para a manutenção da vida.

Entretanto, a grande questão fica para a área em que o anzol atinge o peixe. Normalmente, na pesca esportiva, entende-se que o peixe será fisgado pela boca, e, nesta região, neurobiologistas já descobriram que existem poucas terminações nervosas, uma vez que são encontradas cartilagens, ossos e ligamentos nessa área.

De um lado do debate, parte da comunidade científica diz que os peixes, ao serem fisgados, sofrem apenas uma pressão mecânica e, de outro, alguns pesquisadores acreditam que possa haver um grande estímulo de resposta à dor.

A verdade é que uma resposta assertiva dos cientistas não foi encontrada e, até o momento, ambas as vertentes possuem argumentos válidos a respeito.

pesca esportiva machuca o peixe
Não é um consenso entre os cientistas se a pesca causa dores aos peixes.

Como proceder para assegurar uma pesca “limpa”

Mesmo que as questões ainda não tenham sido devidamente respondidas, é importante que os pescadores tomem todas as medidas cabíveis para manter o esporte “limpo” de quaisquer danos desnecessários para o meio ambiente.

Afinal, a pesca esportiva – que possui uma longa história e evolução, diga-se de passagem – consiste na luta entre o pescador e o peixe, que, após vencido, deve ser devolvido para a natureza como um símbolo de respeito e de integridade.

Espécie e tamanho do peixe

Os primeiros fatores que exigem atenção por parte do pescador são a espécie e tamanho do peixe. Naturalmente, há animais mais frágeis que outros, e ter esse conhecimento antes da pesca pode ajudar a conservar o meio-ambiente.

Os lambaris, por exemplo, são peixes do grupo dos caracídeos. Por seu tamanho e estrutura, é provável que eles não sobrevivam ao serem devolvidos à água, portanto, evite pescar esses animais. 

Se você escolheu um local para pecar em que os lambaris estão atacando o anzol com frequência, procure outro lugar. Se o peixe já foi fisgado, guarde-o para utilizar como isca.

Uma exceção para se prestar a atenção é o pirarucu. Mesmo grande, trata-se de um peixe pulmonado que vai até a superfície para respirar. Durante a briga, ele pode ficar muito fatigado, portanto, devolva-o para a água o mais rápido possível, ou ele pode ficar com sequelas.

Tipo de anzol

O pescador consciente também deve ficar de olho ao tipo de anzol utilizado. Dependendo do tipo de peixe, não há necessidade de escolher um engodo tão grande, pois isso pode danificar sua boca ou estruturas.

Se você está pescando peixes cartilaginosos ou pequenos, é provável que tenham uma boca mais frágil e que se rompe com facilidade. Evite o uso de garateias que machuquem os bichinhos e escolha um anzol sem fisga. 

Tempo de exposição ao ar

A maioria dos peixes respira por meio de guelras, retirando oxigênio da água. Se você os puxa para a superfície e eles permanecem muito tempo expostos ao ar, isso pode causar um sufocamento e matá-los.

O tempo ideal para manusear os peixes é até 2 minutos, porém, lembre-se que, quanto mais rápido você lidar com eles, menores serão os riscos.

Cuidado ao manusear os peixes

Muitos pescadores tratam os bichinhos de qualquer maneira ao capturá-los, e isso é um grande problema para o meio-ambiente. Para que a pesca esportiva possa continuar existindo, manuseie os peixes com cautela.

É de extrema importância, por exemplo, que você não encoste nas brânquias, ou a sua imunidade pode ser afetada. Ao invés disso, coloque as mãos nas estruturas mais abaixo, que são chamadas operáculos.

pesca esportiva machuca o peixe
Manuseie os peixes com cuidado e devolva-os à água com rapidez.

Temperatura da água e ar

Em dias com a temperatura extrema, seja muito baixa ou muito alta, o peixe pode sofrer ao ser retirado da água. Isso porque seu metabolismo costuma ser alterado com a mudança no clima. Nesse caso, lembre-se de deixar o animal em contato com o ar o mínimo de tempo possível.

Quantidade de dano no peixe

Essa é uma questão muito importante, e que alguns pescadores com boa vontade podem acabar errando. Não podemos fechar os olhos para o fato de que o peixe fisgado no anzol sofre ferimentos, muitas vezes graves.

Por isso, sempre observe se o animal está em condições justas para ser devolvido para a água. Se a fisga rasgar sua boca, furar os olhos ou atingir uma brânquia, mesmo devolvendo-o com todo cuidado, ele estará muito suscetível a doenças e infecções e não sobreviverá.

Piracema

A piracema é a época de reprodução dos peixes, e a pesca de boa parte das espécies é proibida. Ao pescar durante esse período, mesmo devolvendo os bichinhos à água, você estará atrapalhando sua reprodução. Portanto, tenha consciência e não faça isso.

Como escolher o equipamento mais adequado

Para evitar o sofrimento desnecessário do animal, é recomendado o uso de um anzol sem farpa, principalmente para que ele não venha a ter nenhum ferimento letal após a devolução ao seu habitat natural – fato esse que muitos pescadores não levam em consideração.

A real eficácia das farpas também vem sendo objeto de debate entre alguns esportistas. Inclusive, alguns ressaltam que a pesca se torna ainda mais desafiadora com anzóis que não possuem essa extremidade, o que pode ser ou não um ponto positivo para você.

Por esses motivos, percebemos que praticar a pesca esportiva de maneira saudável para o animal é sim possível e, para tal, basta utilizar o equipamento correto e a mentalidade correta, para que os peixes não sejam prejudicados demasiadamente durante a atividade.

Assim, por meio de métodos mais “justos”, esse esporte tão cativante vai continuar sendo respeitado e admirado pela sua legião de fãs e de interessados ao redor do mundo.

Embora ainda haja debate sobre se a pesca esportiva machuca o peixe ou não, é dever do pescador tomar o máximo de cuidado, praticando um esporte limpo e ajudando a preservar a fauna aquática. 

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